A APAS Show 2026 evidenciou um consumidor cada vez mais interessado na origem dos alimentos e nas histórias por trás do que consome. Mais do que preço ou conveniência, ganham relevância atributos como procedência, rastreabilidade, identidade territorial e formas de produção.
Dessa forma, a origem deixou de funcionar apenas como informação de rótulo. Cada vez mais, ela ajuda a construir valor, fortalecer narrativas de marca e influenciar decisões de compra.
Mais do que um ponto no mapa
Um dos exemplos veio do ProChile, órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores do Chile. Durante a feira, a entidade destacou produtos associados ao valor agregado e à identidade territorial.
Entre eles estavam as cervejas Austral e Valdiviana, que exploram características ligadas à Patagônia chilena, às águas de degelo e à produção artesanal. Sendo assim, o território deixa de ser apenas local de origem e passa a integrar a própria narrativa do produto.
Além disso, atributos ligados à paisagem, ao clima e às características regionais ajudam a construir diferenciação em categorias cada vez mais competitivas.
O movimento se repete em categorias como frutas secas, nozes e cranberries — frequentemente associadas ao conceito de superfrutas —, nas quais origem e reconhecimento internacional funcionam como importantes atributos de valor agregado.
Esse cenário acompanha uma tendência observada em diferentes mercados alimentares. Hoje, autenticidade, procedência e identidade regional ajudam a agregar valor e fortalecer a conexão entre produto e consumidor.

A confiança também se produz
Ao mesmo tempo, a busca por maior transparência apareceu em categorias ligadas à produção de proteínas animais.
A Damm Produtos Alimentícios apresentou o primeiro salmão produzido no Brasil cultivado sem antibióticos e certificado de bem-estar animal.
Além de inovação produtiva, o lançamento reflete um consumidor cada vez mais interessado em compreender como os alimentos são produzidos, quais práticas estão envolvidas no processo e quais valores acompanham aquela escolha de consumo.
Frescor também é estratégia
A valorização da procedência também esteve no centro dos debates do Fórum da IFPA (International Fresh Produce Association), entidade global do setor de frutas, flores, legumes e verduras (FFLV).
Segundo especialistas da entidade, categorias ligadas ao frescor já respondem por até 40% do faturamento dos supermercados brasileiros. Além disso, podem gerar até 15% mais lucro em lojas com maior presença de produtos frescos.
“Estamos diante de uma grande oportunidade de reposicionar o FFLV como uma categoria verdadeiramente estratégica dentro do varejo”, afirma Valeska de Oliveira Ciré, country manager da IFPA no Brasil.
Nesse cenário, atributos como origem, frescor e rastreabilidade deixam de ocupar um papel secundário e passam a influenciar cada vez mais as decisões de compra.

Muito além do rótulo
Dessa forma, a APAS Show 2026 mostrou que a origem dos alimentos deixou de ser um detalhe de bastidor.
Assim, procedência, identidade territorial e transparência ajudam a explicar por que determinados produtos conquistam espaço nas gôndolas e criam conexões mais profundas com o consumidor.
Mais do que informar de onde um alimento vem, a origem passou a fazer parte do valor que ele entrega.


