Entre salmão livre de antibióticos, milk-shakes proteicos com whey e linhas desenvolvidas para air fryer, a APAS Show 2026 mostrou um varejo alimentar menos focado apenas nas gôndolas. Em vez disso, o setor busca ocupar espaço na rotina, nos hábitos e nas escolhas do consumidor.
Realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, a feira promovida pela Associação Paulista de Supermercados reuniu cerca de 900 expositores nacionais e internacionais em sua 40ª edição.
O evento, considerado um dos maiores do setor na supermercadista, reforçou a aproximação entre varejo e gastronomia. Temas como saudabilidade, rastreabilidade e valor agregado apareceram com força entre os lançamentos.
Ao longo dos quatro dias de feira, encerrados na última quinta-feira (21), ficou evidente uma mudança importante no setor. Hoje, abastecer a despensa já não basta. Cada vez mais, marcas e indústrias tentam criar conexão emocional, conveniência e identificação com o público.
Nesse cenário, o supermercado deixa de atuar apenas como ponto de compra. Por outro lado, passa a assumir um papel de curadoria. Assim, reúne produtos que dialogam com bem-estar, praticidade, estilo de vida e experiência de consumo.
Conveniência deixa de ser diferencial e se torna expectativa
O movimento apareceu em diferentes categorias da feira. A air fryer, por exemplo, deixou de funcionar apenas como eletrodoméstico. Agora, ela simboliza um novo comportamento alimentar ligado ao preparo rápido dentro de casa.
Segundo levantamento da consultoria GfK, o equipamento já está presente em mais de 35% dos lares brasileiros. Atualmente, segue entre os itens mais vendidos da categoria.
Com isso, o avanço da air fryer ajuda a explicar como conveniência, saudabilidade e praticidade passaram a ocupar espaço central nas estratégias das marcas. O objetivo é ampliar ocasiões de consumo e criar identificação com a rotina doméstica.

Proteína avança sobre categorias do dia a dia
Ao mesmo tempo, a proteína deixou de ser um atributo restrito ao universo da atividade física. Hoje, ela avança sobre categorias mais ligadas ao cotidiano alimentar.
A tedência aparece em lançamentos como o whey protein sabor milk shake desenvolvido pelo Bob’s em parceria com a Atlhetica Nutrition. Já a Tirolez apresentou o Requeijão Cremoso PRO+, primeiro item da linha criada para ampliar a presença da proteína em categorias do dia a dia.
O cenário acompanha um mercado em forte expansão. Segundo dados da Euromonitor International, o segmento de produtos com proteína adicionada movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano no Brasil.
O crescimento é impulsionado pela busca por saúde, envelhecimento ativo, aumento da prática esportiva e o avanço dos medicamentos voltados à perda de peso, que exigem maior reposição proteica.
Mais do que suplementos associados ao mercado fitness, a feira mostrou uma mudança importante. Dessa forma, funcionalidade e indulgência convivem em categorias tradicionalmente ligadas ao prazer e ao consumo cotidiano.

Autenticidade e valor agregado ganham espaço
Paralelamente ao avanço da funcionalidade, cresce, também, o interesse por autenticidade, procedência e identidade alimentar.
Ingredientes orientais ligados à fermentação natural e ao valor agregado apareceram em categorias premium do varejo alimentar brasileiro. Assim, produtos antes mais associados a restaurantes especializados passaram a dialogar com hábitos de consumo urbanos e cotidianos.
Além disso, a valorização da procedência apareceu em outra frente importante da feira. Conceitos como terroir, rastreabilidade, bem-estar animal e identidade alimentar passaram a funcionar como atributos de valor.
Entre os exemplos apresentados na APAS Show 2026 esteve o salmão da Damm, produzido sem uso de antibióticos e alinhado à crescente demanda por alimentos com maior transparência produtiva e apelo de saudabilidade.
O movimento acompanha um consumidor mais atento à origem dos alimentos e à transparência da produção.

O supermercado quer participar da rotina doméstica
O movimento também se reflete nos números do setor. Segundo levantamento da Scanntech, o varejo alimentar brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,4 trilhão. O resultado representa alta nominal de 6,7% em relação ao ano anterior.
Hoje, o segmento representa mais de 9% do PIB nacional, de acordo com o Ranking ABRAS 2026. Assim, o setor segue entre os principais motores da economia brasileira.
Em muitos momentos, a APAS Show 2026 pareceu menos uma feira de abastecimento e mais um retrato das novas relações entre consumo, conveniência e experiência alimentar.
Mais do que produtos, a feira revelou um varejo alimentar interessado em disputar espaço na rotina, nos hábitos e nas experiências cotidianas do público.
Ao longo da semana, a Revista À La Carte aprofunda os principais movimentos vistos na APAS Show 2026.


