A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a produzir reflexos na gastronomia. O anúncio de que o Irã proibiu temporariamente as exportações de alimentos pode reduzir a oferta de pistache no Brasil e pressionar preços nas próximas semanas, caso a medida se prolongue.
O impacto não é irrelevante. Apenas nos primeiros meses de 2026, o Brasil importou 49 toneladas de pistache iraniano, volume superior às 35,5 toneladas compradas dos Estados Unidos no mesmo período, segundo o sistema Comex Stat do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em 2025, as aquisições do Irã somaram 422,6 toneladas, um salto de 71% em relação ao ano anterior, consolidando o país como fornecedor estratégico para o mercado brasileiro.

Globalmente, o Irã é o segundo maior produtor de pistache do mundo, com 316,1 mil toneladas em 2024, atrás apenas dos Estados Unidos, que produziram 498,9 mil toneladas. A eventual interrupção prolongada das exportações pode gerar disputa internacional pela oleaginosa, pressionando importadores e encarecendo o produto final.
Na prática, o efeito deve chegar rapidamente ao consumidor. O pistache é hoje ingrediente-chave em gelatos artesanais, cremes, doces italianos, pâtisserie contemporânea, recheios de chocolate, menus sazonais de alta gastronomia e até na produção de cafés em cápsula ou pó.
Se o bloqueio for breve, o mercado pode absorver a oscilação. Mas, caso se estenda, o pistache, que já é considerado um ingrediente de alto valor, pode se tornar ainda mais restrito e caro nos próximos meses, alterando cardápios e estratégias de compra no setor gastronômico brasileiro.


