O chef dinamarquês René Redzepi anunciou sua saída do Noma, restaurante que fundou em 2003 em Copenhague e que se tornou uma das referências da gastronomia contemporânea mundial. A decisão foi divulgada na última quarta-feira, 11 de março, após reportagens recentes e relatos de ex-funcionários que o acusam de abusos físicos e psicológicos no ambiente de trabalho.
As denúncias vieram à tona em reportagens publicadas pela imprensa internacional e também por meio de depoimentos divulgados nas redes sociais. Ex-integrantes da equipe relataram episódios de violência física e verbal, além de humilhações públicas e intimidações ocorridas principalmente entre 2009 e 2017, período em que o restaurante consolidava sua reputação internacional.
Em comunicado publicado no Instagram, René Redzepi afirmou assumir responsabilidade por suas ações no passado e declarou que decidiu se afastar após mais de duas décadas à frente do restaurante. No texto, o chef reconhece que mudanças recentes na cultura interna da casa não seriam suficientes para reparar experiências negativas vividas por integrantes da equipe ao longo dos anos.
A repercussão também afetou iniciativas recentes do restaurante, incluindo o pop-up de 16 semanas realizado em Los Angeles. O evento foi alvo de protestos e perdeu patrocinadores nos dias seguintes às revelações, entre eles empresas ligadas ao setor de hospitalidade e plataformas de reservas gastronômicas.
Considerado um dos restaurantes mais influentes do século XXI, o Noma ajudou a redefinir a gastronomia nórdica contemporânea ao valorizar ingredientes locais e técnicas de fermentação e forrageamento. O estabelecimento acumulou diversos prêmios internacionais e liderou repetidas vezes listas de melhores restaurantes do mundo.
Com a saída de Redzepi, o futuro da casa segue sob comando da equipe atual, embora ainda não tenha sido anunciado um sucessor para a chefia da cozinha.


