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Vinhos de Francisco Baettig chegam ao Brasil após conquista histórica no Descorchados

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Bruno Cavalcanti

Francisco Baettig com Carlos de Carlos, Vinhedo Baettig | Foto: Divulgação
Francisco Baettig com Carlos de Carlos, Vinhedo Baettig | Foto: Divulgação

Os vinhos de Francisco Baettig acabam de desembarcar no Brasil em um dos momentos mais importantes da trajetória do enólogo chileno. Importados com exclusividade pela World Wine, os rótulos chegam ao mercado nacional logo após o recém-lançado 2024 Baettig Vino de Parcela Coronel, D.O. Cauquenes, conquistar 98 pontos no Guia Descorchados 2026 e ser eleito o Melhor Vinho Tinto do Ano pela principal publicação de vinhos da América do Sul.

O reconhecimento consolida Baettig como um dos nomes mais relevantes da viticultura contemporânea chilena, especialmente por representar uma mudança profunda na forma como o país passou a ser percebido internacionalmente. Mais do que potência e volume, seus vinhos apostam em elegância, precisão, frescor e identidade de terroir.

O Coronel, principal destaque do momento, nasce de um antigo vinhedo em regime de secano no Maule, com Cabernet Sauvignon, País e Cariñena provenientes de vinhas antigas irrigadas apenas pela água da chuva. Na avaliação de Patricio Tapia, o vinho impressiona pelos aromas de frutas, ervas, especiarias e notas terrosas, sustentados por taninos firmes e uma acidez vibrante.

Mas o destaque de Baettig no Descorchados 2026 vai além do Coronel. Todo o portfólio do produtor recebeu notas entre 95 e 98 pontos. Entre os rótulos mais celebrados está o 2024 Baettig Selección de Parcelas Los Primos Chardonnay, de Traiguén, avaliado com 97 pontos e incluído entre os finalistas de Melhor Chardonnay do Ano. Produzido em pequena escala após geadas severas no sul do Chile, o vinho se destaca pela tensão, pela mineralidade e pelo perfil salino típico dos grandes Chardonnays de clima frio.

Outro rótulo que chamou atenção foi o Los Padrinos Cabernet Sauvignon, também premiado com 97 pontos. Produzido a partir de vinhedos com mais de 70 anos, o vinho incorpora 12% de País ao blend (escolha que ajuda a preservar frescor e suavizar a rusticidade natural do Cabernet do Maule). Já o Los Parientes Chardonnay reafirma o domínio técnico do enólogo sobre vinhos de regiões frias, com perfil vibrante e assinatura mineral bastante evidente.

2024 Baettig Vino de Parcela Coronel, D.O. Cauquenes, recebeu 98 pontos e conquistou a distinção de Melhor Vinho Tinto do Ano | Foto: Divulgação
2024 Baettig Vino de Parcela Coronel, D.O. Cauquenes, recebeu 98 pontos e conquistou a distinção de Melhor Vinho Tinto do Ano | Foto: Divulgação

A trajetória de Francisco Baettig ajuda a explicar esse momento. Formado pela Pontificia Universidad Católica de Chile e com especialização na França, incluindo passagens por Bordeaux e pelo Vale do Rhône, o enólogo desenvolveu uma filosofia centrada em equilíbrio, tensão e transparência de fruta.

Sua consolidação internacional acontece na Viña Errázuriz, ao lado de Eduardo Chadwick, onde assume a direção técnica de alguns dos projetos mais importantes do país, entre eles o icônico Seña. Sob sua liderança, os vinhos passam por um refinamento perceptível, abandonando estilos excessivamente maduros e extraídos para ganhar precisão, elegância e maior potencial de guarda.

Foi, porém, nos vinhos de clima frio que Baettig redefiniu de forma mais clara a percepção internacional sobre o Chile. Em regiões influenciadas pelo Pacífico, especialmente no sul do país, passou a elaborar Chardonnays e Pinot Noirs marcados por acidez vibrante, textura mineral e uso extremamente cuidadoso da madeira. “No Chile, durante muito tempo buscamos intensidade. Hoje, o desafio é outro: como preservar energia, frescor e identidade”, resume o produtor.

Paralelamente ao trabalho institucional, Baettig também desenvolve projetos autorais, como Vino Parientes e Primos, nos quais propõe leituras mais íntimas do terroir chileno, sempre com foco em pequenas parcelas e intervenções mínimas.

A chegada oficial desses rótulos ao Brasil acontece justamente em um momento de amadurecimento do consumidor nacional. Segundo o próprio Baettig, o mercado brasileiro passou a demonstrar maior interesse por vinhos mais sutis, elegantes e ligados à origem. “Hoje existe uma compreensão mais clara de estilos, de origem e de equilíbrio. Isso abre espaço para vinhos mais tensionados e menos óbvios”, afirma o enólogo.

Mais do que lançar vinhos premiados no país, a chegada de Francisco Baettig ao mercado brasileiro simboliza também a consolidação de um novo Chile: menos focado em potência e mais comprometido com precisão, frescor e identidade à mesa.

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