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Entre o umami e o sake, uma nova fase dos sabores orientais no Brasil

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Bianca Pelliciari

Aposta da Azuma na coquetelaria ajuda a explicar as novas ocasiões de consumo do sake no mercado brasileiro | Foto: Divulgação
Aposta da Azuma na coquetelaria ajuda a explicar as novas ocasiões de consumo do sake no mercado brasileiro | Foto: Divulgação

Do shoyu naturalmente fermentado aos novos usos do sake na coquetelaria, a APAS Show 2026 indicou uma nova fase dos sabores orientais no Brasil.

A tendência acompanha tanto a influência histórica da imigração japonesa quanto a adaptação de produtos tradicionalmente associados a nichos específicos. Hoje, esses ingredientes dialogam com hábitos de consumo mais urbanos e conectados ao preparo doméstico.

Não por acaso, o Brasil abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, o país reúne cerca de 2 milhões de descendentes.

Além disso, a forte presença da comunidade nipo-brasileira contribuiu para difundir ingredientes e hábitos alimentares que hoje fazem parte da gastronomia nacional.

Sake ganha novas ocasiões de consumo

Nesse cenário, o sake aparece como um dos exemplos mais claros dessa transformação.

“Nosso foco é mostrar como o sake pode ser versátil, moderno e acessível a diferentes públicos”, destaca Amauri Tenório, embaixador da Azuma.

Na APAS Show 2026, a marca — fundada em 1934 para atender imigrantes japoneses no Brasil e hoje integrante do grupo japonês Kikkoman — apresentou a linha Sake Flavors, que combina a bebida fermentada à base de arroz com sabores brasileiros.

Além disso, a empresa lançou dois drinks autorais que exploram o potencial do sake na coquetelaria contemporânea. Após a APAS, as bebidas passam a ser comercializadas em bares selecionados de São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando as ocasiões de consumo da categoria.

Umami e fermentação ajudam a explicar a tendência

Ao mesmo tempo, a expansão dos sabores orientais no Brasil também apareceu em categorias ligadas ao preparo doméstico e à valorização de ingredientes tradicionalmente associados à culinária asiática.

Nesse contexto, empresas apostaram em produtos inspirados em ingredientes como shoyu, tarê e condimentos ligados ao umami.

Considerado o quinto gosto básico do paladar humano, ao lado do doce, salgado, azedo e amargo, o umami ajuda a explicar por que ingredientes tradicionalmente associados à culinária japonesa ganham espaço em diferentes ocasiões de consumo.

Além disso, a valorização da fermentação natural reforça o avanço de produtos como shoyu, sake e missô. A técnica milenar acompanha o crescimento do interesse por alimentos fermentados, cada vez mais associados à autenticidade, complexidade de sabor e bem-estar.

Produzido no Brasil desde 2021, o shoyu naturalmente fermentado da Kikkoman acompanha a valorização de ingredientes ligados ao umami e à fermentação natural | Foto: Divulgação
Produzido no Brasil desde 2021, o shoyu naturalmente fermentado da Kikkoman acompanha a valorização de ingredientes ligados ao umami e à fermentação natural | Foto: Divulgação

Do restaurante especializado às gôndolas

Por outro lado, a expansão dos sabores orientais também pode ser observada em categorias ligadas aos condimentos e ingredientes culinários.

Por sua vez, a Kikkoman destacou seu tradicional shoyu naturalmente fermentado, considerado uma das principais referências mundiais da categoria.

Produzido no Brasil desde 2021, o ingrediente acompanha o avanço de produtos orientais ligados à autenticidade, à fermentação natural e ao valor agregado.

Ao mesmo tempo, a produção local reflete uma mudança importante do mercado. Ingredientes antes mais restritos a restaurantes especializados e mercados asiáticos passam a dialogar com um público mais amplo.

Hoje, esses consumidores buscam origem, qualidade e novas experiências gastronômicas.

Nesse contexto, a presença da marca na APAS reforça o papel do varejo nesse processo de popularização.

“O varejo faz parte da trajetória da Kikkoman. Através das gôndolas, nossos consumidores puderam testemunhar ao longo dos anos nossa evolução e novidades. Participar da comemoração dos 40 anos da APAS é algo muito representativo para nós, já que a feira se tornou uma importante vitrine para a consolidação e expansão da empresa no Brasil”, afirma Raquel Kohler, embaixadora da Kikkoman do Brasil.

Muito além da herança cultural

Dessa forma, a combinação entre tradição, adaptação ao paladar brasileiro e valorização de ingredientes ligados ao umami ajuda a explicar por que categorias antes mais restritas ganham espaço em diferentes ocasiões de consumo.

Hoje, a presença oriental no mercado brasileiro deixa de se limitar à herança cultural da imigração japonesa. Em vez disso, passa a integrar o repertório gastronômico cotidiano de consumidores interessados em origem, sabor e descoberta.

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