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Jesuíno Brilhante, em Pinheiros, celebra 10 anos com sabores do sertão potiguar

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Bruno Cavalcanti

Menu do Jesuíno Brilhante, que celebra uma década em SP | Foto: Divulgação
Menu do Jesuíno Brilhante, que celebra uma década em SP | Foto: Divulgação

Em uma discreta casa de Pinheiros, o Jesuíno Brilhante completa dez anos preservando sabores, técnicas e relações construídas no sertão do Rio Grande do Norte. Mais do que um restaurante nordestino, a casa se consolidou em São Paulo como endereço dedicado à cozinha sertaneja potiguar, mantendo uma rede de produtores históricos e um repertório de receitas diretamente ligado à memória de pequenas cidades do interior do estado.

O restaurante nasceu após uma mudança de rota na vida de Rodrigo, fundador da casa, que abandonou a ideia de abrir um café depois de uma temporada no Rio Grande do Norte. O retorno às origens acabou se transformando em restaurante, inaugurado inicialmente em uma pequena casa na rua Arruda Alvim e dedicado aos sabores de Patu e Caicó.

O ambiente mistura retratos, referências sertanejas, pequenos objetos afetivos e uma trilha que reforça o clima nordestino, especialmente em ocasiões como o forró ao vivo programado para o próximo domingo, 31.

Na cozinha, a lógica permanece baseada na culinária de subsistência do sertão, construída historicamente em torno de ingredientes produzidos nas próprias fazendas, como leite, queijo, manteiga e carne. É dessa matriz que surgem preparações como carne de sol na nata, arroz de leite com queijo e receitas tradicionais da região.

Grande parte dos insumos continua vindo dos mesmos produtores potiguares que abastecem a casa desde a inauguração. Entre eles estão fornecedores de arroz vermelho, farinha, queijo coalho, doces artesanais, manteiga de garrafa e da tradicional burra preta, pão de melado típico da região.

Jesuíno Brilhante, que celebra uma década em SP | Foto: Divulgação
Jesuíno Brilhante, que celebra uma década em SP | Foto: Divulgação

O principal símbolo do Jesuíno, porém, segue sendo a carne de sol, preparada em São Paulo a partir da técnica desenvolvida por Seu João, pai de Rodrigo, ainda nos anos 1980, em Caicó. Incomodado com o excesso de sal utilizado tradicionalmente pelos marchantes locais, ele criou um método próprio de cura controlada, sem desidratação extrema e preservando a suculência da carne.

O processo exige ao menos 12 horas de repouso e permite que o sal penetre de forma homogênea, mantendo textura macia e sabor equilibrado. Atualmente, o restaurante produz mensalmente centenas de quilos de cortes como alcatra, cupim, ancho, coxão duro e copa-lombo.

As carnes aparecem tanto na chapa, em pratos que variam de R$47 a R$62, quanto em receitas como croquete de carne de sol (R$28), paçoca (R$49) e a clássica carne de sol na nata (R$51), sucesso da casa.

Outro traço marcante do menu está no uso recorrente da cebola roxa nos refogados, prática típica da cozinha potiguar. Para acompanhar, entram bebidas tradicionais como a cajuína São Geraldo (R$15), além de cervejas artesanais da casa, como a IPA com manga e a golden ale (R$28).

Nas sobremesas, o Jesuíno mantém receitas ligadas à tradição nordestina, caso do manjar de coco fresco com pedaços da fruta (R$24) e dos doces chamados de “cangaceiros”, preparados com sabores como caju-ameixa, coco verde e mangaba, servidos com queijo coalho grelhado.

SERVIÇO

Seg. a sex., das 11h30 às 15h; sáb., das 11h30 às 16h. Endereço: r. Arruda Alvim, 187, Pinheiros, região oeste. Tel.: (11) 2649-3612. @jesuinobrilhante

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