Na última década, impulsionado pelo consumo digital, o café ganhou um novo papel no dia a dia das grandes metrópoles. Além de ser o companheiro de todas as manhãs, a bebida passou a ser assunto de análises profundas por meio daqueles que passam a se preocupar com a origem dos grãos, aos métodos de preparo e às nuances de sabor.
Ainda assim, muitos hábitos cotidianos continuam comprometendo a experiência da xícara, e, segundo especialistas, o problema nem sempre está no grão em si. Para Julia e Nadia Nasr, fundadoras da cafeteria Café Por Elas, em São Paulo, diversos erros comuns no preparo doméstico acabam anulando aroma, corpo e equilíbrio da bebida.
Um dos principais equívocos começa já na escolha do grão. “Quanto mais fresco o café, maior a presença de notas aromáticas e sabores mais vivos na bebida”, explica Nadia. Segundo a especialista cafeeira, observar a data da torra, a procedência e optar por cafés especiais faz diferença significativa no resultado final.

Outro mito recorrente é acreditar que preparar café “no olho” funciona sempre. De acordo com as especialistas, a proporção entre água e pó interfere diretamente na percepção de doçura, acidez e amargor. A recomendação é usar a proporção de 1:15 (cerca de 10 gramas de café para cada 150 ml de água). “Quando você acerta a proporção, consegue perceber melhor as características naturais do café”, afirma Julia.
A água, frequentemente ignorada, também é decisiva. Como representa grande parte da bebida, sua qualidade influencia diretamente no sabor. Água com impurezas, excesso de minerais ou gosto residual pode mascarar completamente as notas do grão. A orientação é utilizar sempre água filtrada ou mineral e aquecê-la adequadamente antes do preparo.
Outra dica pouco óbvia é escaldar o filtro de papel antes de preparar o café. Embora pareça apenas um detalhe técnico, o processo elimina resíduos do papel e ajuda a estabilizar a temperatura da extração. A forma como a água é despejada sobre o pó também faz diferença.
Jogar tudo de uma vez ou concentrar o fluxo em apenas um ponto pode gerar extrações irregulares, deixando a bebida amarga ou sem sabor. A recomendação é despejar a água lentamente, em movimentos circulares, garantindo que todo o pó seja umedecido de maneira uniforme.
Para as fundadoras do Café Por Elas, preparar um bom café não exige equipamentos complexos, mas atenção a detalhes. “Quando entendemos melhor o processo e nos atentamos a pequenos cuidados no preparo, conseguimos transformar uma bebida comum em uma experiência muito mais prazerosa e indulgente”, resume Nadia.
Criado em 2018, o Café Por Elas trabalha exclusivamente com grãos produzidos por mulheres em propriedades rurais brasileiras, unindo torrefação própria, rastreabilidade e valorização feminina em toda a cadeia produtiva do café.


